25 de novembro de 2009

Longa Vida às Borboletas! - 25/11 Dia Internacional da Não violência contra a mulher




As Irmãs Mirabal: as "Borboletas"


Os nomes de três mulheres dominicanas, conhecidas como as irmãs Mirabal, são, desde 1981, o símbolo do Dia Internacional da Não – Violência contra as Mulheres. Maria Teresa, Minerva e Patria Mirabal, foram assassinadas em 25 de novembro de 1960, por ordem da ditadura de Trujillo. Eis aqui uma síntese de sua longa luta em contra de uma das ditaturas mais sanguinárias do continente:
Patria Mercedes (1924), Maria Argentina Minerva (1926) e Antonia María Teresa Mirabal (1935) nasceram num lugar chamado Ojo de Agua, numa pequena localidade da província de Salcedo. O pai delas, Enrique Mirabal, era comerciante e fazendeiro. A mãe, Mercedes Reyes Camilo, dona de casa.
Quando concluíram o ensino fundamental, Patria e Minerva e outra irmã delas, Adela, foram mandadas a estudar no Colégio Imaculada Conceição, na província de La Veja. Das quatro irmãs, Minerva foi aquela que mais se destacou por sua inteligência e personalidade. Alguns biógrafos não podem deixar de destacar que “a beleza de Minerva foi legendária”.
Em sua novela, “No tempo das Borboletas”, a escritora dominicana, Julia Álvarez, conta como o ditador Leônidas Trujillo, ao conhecer Minerna numa festa, ficou impressionado e decidiu conquistá-la. Assediada pelo ditador em várias oportunidades, Minerva deu ao ditador um tapa na cara quando ele tentou propassar-se em suas atenções. “Temos escutado histórias de jovens drogadas, depois estrupadas pelo Chefe”, disse.
A série de desatenções da familia Mirabal para com o regime alcançou seu clímax quando o pai e suas filhas decidiram retirar-se de uma festa, provocando a ira do ditador, quem considerou o fato “uma grave ofensa”. Rafael Leônidas Trujillo não se conformou com as desculpas de Enrique Mirabal, quem, por conselho de seus amigos, viu-se obrigado a enviar-lhe um telegrama expressando sua excusa.
Poucos dias depois, Mirabal foi detido e levado para uma prisão, e posteriormente o seguiu sua filha Minerva, acusada de complô em contra do regime. Uma rigorosa espionagem em torno da familia Mirabal levou à conclusão de que a jovem tinha estreitas relações com membros do Partido Socialista Popular.
A prisão do pai e da filha durou várias semanas. Finalmente, o cerco estreitou-se para Enrique Mirabal, quem morreu “acidentado” em dezembro de 1953, depois de ter sido submetido a torturas e humilhações durante a sua estadia em várias prisões.
A força dos acontecimentos e o progressivo convencimento, por parte de Minerva, da necessidade de lutar para derrubar Trujillo, provocaram uma transformação em sua vida e, portanto, na vida de suas irmãs Patria e Maria Teresa. Embora alguns biógrafos coincidam em destacar que, das três, Minerva foi quem sempre esteve na dianteira.
Com o nome de “Borboleta”, Minerva entrou de cheio no trabalho clandestino. Leandro Guzmán, esposo de María Teresa, lembra hoje que Minerva não somente teve que enfrentar Trujillo, mas também levou à prática a oposição em contra dele, como principal gestora do Movimento de Resistência Interna, criado poucos dias depois do triunfo de Fidel Castro em Cuba.
A primeira assembléia de constituição do novo movimento foi realizada em 10 de janeiro de 1960, na Fazenda de Conrado Bogaert. Em homenagem ao sacrifício do grupo de rebeldes que formou parte da expedição armada procedente de Cuba e que fora aplatada pela ditadura, o grupo decidiu denominar-se Movimento Clandestino “14 de junho”.
Nessa assembléia clandestina, somente estiveram presentes duas mulheres: Minerva Mirabal e Dulce María Tejada Gómez. Embora Minerva seja indicada como a iniciadora desse movimento, foi o seu marido, Manolo Tavares, e o seu cunhado, Leandro Guzmán, quem formaram parte da diretoria. Dias depois, uma denúncia levou aos serviços secretos do regime informes sobre o grupo e os nomes de seus integrantes. Imediatamente foram presos Manolo Tavares e Leandro Guzmán; depois, Minerva e mais tarde sua irmã María Teresa, entre outros.
Ao passar dos dias, novas detenções alarmaram a um setor da classe alta dominicana. Os pais da maioria dos jovens encarcerados tinham vínculos muito estreitos com Trujillo. Essa situação foi o caldo de cultivo que acelerou a queda do regime. A intervenção da Igreja Católica, através de uma carta pastoral na qual condenava os fatos, também foi determinante.
Meses mais tarde, o regime desencadeou uma das etapas mais repressivas, a qual chegou ao extremo de loucuras como a ordem de assassinar a Rómulo Betancourt, presidente da Venezuela. Nesse momento, o destino das irmãs Mirabal ficou selado. Numa ocasião, Trujillo declararia que os seus dois maiores problemas eram a Igreja e as irmãs Mirabal.
Quando Patria, Minerva e María Teresa voltavam de fazer uma visita a seus maridos que estavam presos, foram objeto de uma emboscada preparada por aliados do regime. O fato foi apresentado como um “acidente”. Depois se soube que, na verdade, as três irmãs foram mortas a pauladas e que, depois, os corpos delas foram colocados no veículo no qual viajavam e jogados num precipício.
Adela, Dedé Mirabal, é a única sobrevivente das irmãs Mirabal. Julia Álvarez a escolheu como uma testemunha privilegiada para conhecer de perto as pequenas histórias cotidianas de suas irmãs.





No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, Colômbia, a data do assassinato das irmãs foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher.
Em
17 de dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de novembro é o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.
Em
1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de Las Mariposas, e que em 2001 se tornou um filme. A sua história é também recordada no livro A Festa do Chibo, do peruano Mario Vargas Llosa.





Livro recomendado: "No tempo das Borboletas", de Julia Álvarez

http://www.submarino.com.br/produto/1/159185/?franq=134562

Filme recomendado: "No tempo das Borboletas" (In the time of Butterflies), baseado no livro de Julia Álvarez

http://cinemacomrapadura.com.br/filmes/1994/no-tempo-das-borboletas-2001/

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